O direito à segurança alimentar

Falta de renda e de conhecimento põe em risco o desenvolvimento de milhares de crianças no país. A LBV trabalha para reverter esse triste cenário.

A reportagem a seguir foi publicada, originalmente, na revista BOA VONTADE nº 275, de setembro de 2022. Para ler outros conteúdos desta edição, clique aqui.


É com o lúdico, ou seja, com jogos, brinquedos e brincadeiras que despertam a curiosidade dos pequeninos, que os alunos da Educação Infantil do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, estão recomeçando a apreciar alimentos nutritivos e fundamentais para um crescimento saudável, por meio do Projeto Nutrição.

Vivian R. Ferreira
A iniciativa tem sido aplicada em todas as escolas da Rede de Ensino da LBV e surgiu logo após o retorno às aulas presenciais, em novembro do ano passado — depois do longo período de quarentena provocado pela pandemia da Covid-19 —, quando a equipe educacional da Instituição se deparou com um grande desafio na hora das refeições.

A própria característica do público atendido (boa parte proveniente de famílias em situação de vulnerabilidade social), que, nesta crise econômica e sanitária, consumiu apenas o básico, apelando para produtos mais baratos, em sua maioria de baixo valor nutricional, para não passar fome, explica um pouco o contexto.

“Dependendo da casa, muitos estavam comendo só arroz e feijão, ou uma mistura aqui, outra ali, não tendo como oferecer verduras, legumes, uma fruta de sobremesa… Como são crianças bem pequenas, esse período de quase dois anos fora da escola foi muito tempo. Elas deixaram de conhecer alimentos ricos em proteínas e vitaminas”, conta a professora Andressa Silva dos Santos Sasai, que leciona no pré-escolar da Supercreche Jesus.

(Nota: a LBV proveu essas famílias, durante toda a pandemia, com cestas de alimentos não perecíveis, justamente para que não passassem fome durante o necessário período de distanciamento social)

Vivian R. Ferreira

Por sinal, o diagnóstico percebido pelos educadores da LBV é claramente retratado no estudo “Primeira Infância: conhecimentos, atitudes e práticas de beneficiários do Bolsa Família”, publicado, em dezembro de 2021, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Nele, constatou-se que crianças entre 0 e 6 anos de lares beneficiados pelo Bolsa Família, agora substituído pelo Auxílio Brasil, estão com seu desenvolvimento em risco em razão do alto consumo de produtos ultraprocessados e da insegurança alimentar.

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De acordo com o levantamento do Unicef, a praticidade e uma falsa percepção vendida pela publicidade desses alimentos (ao divulgar que são complementados com nutrientes importantes para a infância) levam muitos pais a escolhê-los, pensando estar oferecendo algo benéfico a seus filhos. Na pesquisa, cerca de 80% dos participantes relataram o consumo desses produtos no dia anterior à entrevista, a exemplo de biscoitos recheados e bebidas açucaradas.

Vivian R. FerreiraGabriella Kisse
A orientadora educacional da Supercreche Jesus, Gabriella Kisse, que acompanha com uma equipe multidisciplinar da Entidade o dia a dia da garotada, afirma que foi a partir de uma observação atenta e de conversas com os familiares de educandos que foi montado o projeto.

“Partimos do que eles mais gostam e fomos ampliando o cardápio por meio de atividades pedagógicas em sala de aula. Para introduzir, por exemplo, o alecrim com um legume, fizemos uma roda e cantamos a música Alecrim Dourado. As crianças viram como é o alecrim e comeram essa erva aromática com batata. No caso do abacate, também ampliamos o conhecimento delas falando como é plantado, qual a melhor época para ter o fruto, o seu valor nutricional, e incentivamos os alunos a participar do preparo da vitamina de abacate. Essa atividade em grupo ajuda para que a experimentação seja positiva.”

Gabriella salienta que, além de oferecer uma alimentação rica para os pequeninos, a LBV procura “conhecer como é a alimentação deles em casa, se fazem algum acompanhamento médico e o motivo da seletividade alimentar. Há ainda uma equipe de enfermagem na escola que faz avaliações constantes para verificar se há desnutrição ou sobrepeso, e nós acompanhamos com os educadores todo o processo de aceitação das crianças, completando a ação com a orientação das famílias”.

Vivian R. Ferreira

Segundo a orientadora, é preciso persistência no oferecimento de alimentos. Os resultados são vistos em longo prazo, mas são essenciais para evitar o aparecimento de doenças crônicas e transtornos alimentares. Gabriella ressalta que o trabalho exige supervisão diária, pois vários alunos acabam retrocedendo; e aí é necessária uma ação pontual com a família para retomar a aceitação do aluno de determinados alimentos.

Apesar das dificuldades, o retorno traz muita esperança. De acordo com ela, 70% dos estudantes que integram o projeto passaram, pouco a pouco, a construir um paladar mais nutritivo.

Vivian R. Ferreira

“A gente acaba tendo essa conversa com as crianças — do convite à experimentação, ninguém é forçado a nada, porque sabemos que essa relação com o alimento pode ter uma carga emocional, o que não é positivo — e não se pode relacionar o que se come com a alegria ou a tristeza; então, dissociamos essas emoções na hora da refeição, apenas focando no experimentar”, completa.

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