Frutos ao longo do tempo

Nos 25 anos da Escola da LBV no Rio, ex-alunos e professores contam como a Unidade os ajudou a projetar um futuro promissor e feliz.

O Centro Educacional José de Paiva Netto, Unidade da LBV no Rio de Janeiro, celebra 25 anos de existência.

Ao longo desses anos, todo  primoroso trabalho da Escola tem resultado em histórias de vida inspiradoras. Nos depoimentos apresentados a seguir, a amiga colaboradora e o amigo colaborador perceberão que aqueles que passam pelo Centro Educacional da LBV têm conseguido vencer as vulnerabilidades sociais que os desafiam e projetar um futuro promissor e feliz.

Gratidão pela formação do caráter

Pedro FelipeArllãn da Silva de Andrade (D) e o professor Sergio Euzébio.
Nome: Arllãn da Silva de Andrade
Idade: 19 anos
Onde mora: Complexo do Alemão
Permanência na LBV: 2002-2016
Principais desafios: “É uma realidade duríssima. Costumava tomar banho no banheiro de madeira. Até meus 17 anos, dormia no chão, não tinha quarto. O muro da minha casa era de madeira. Meus pais não tinham condições [financeiras favoráveis]. (…) A violência que tem na favela é surreal; a realidade de quem mora nela é diferente. Há um clima mais pesado, hostil. Muitas vezes, a gente já se deparou com tiroteio indo ou voltando da escola, do trabalho”.
Sobre estudar na LBV: “Uma característica importante na LBV é a familiaridade. Você sai de lá, mas ela não sai de você, porque os que convivem nela se tornam uma família. (…) Tive muitos momentos marcantes: Copa Rio, Copa São Paulo, Copa Minas de Judô… Nossa! Fiz viagens espetaculares!” Talento despertado: Habilidade para os esportes.
Planos para o futuro: “Não me vejo seguindo sem o judô, o esporte faz parte da minha vida, porque foram os [educadores] Sergio Euzébio e Vinícius Azevedo que me ajudaram, me salvaram de diversas coisas. Por isso, eu costumo dizer que eles não foram só meus professores, mas também são como meus pais. Eles tiveram grande influência na formação do meu caráter, da minha disciplina. (…) Planejo integrar um dos Comandos Anfíbios [da Marinha do Brasil] e ser um excelentíssimo professor de judô”.
Conquista: Aprovação em concurso público para Fuzileiro Naval.

Descoberta da própria missão

Pedro Felipe
Nome: Ana Carolina Tuguia
Idade: 19 anos
Onde mora: Complexo da Penha
Permanência na LBV: 2014-2017
Principais desafios: “Morávamos só eu e minha mãe em casa. A minha rotina era bem preenchida no Centro Educacional, e isso foi um grande apoio em nossa vida, porque a gente não tinha dinheiro suficiente para eu ficar em uma escola [em período] integral. (…) No mesmo ano em que entrei na LBV, minha mãe ficou desempregada. O que mais ajudou na época foi a alimentação, todo o suporte social e econômico que a escola acaba dando. Foi uma grande ajuda em todos os âmbitos da minha vida”.
Sobre estudar na LBV: “Ela marcou minha vida de uma forma que me transformou como pessoa. Eu me descobri como alguém que admirava a Educação e achava que ela deveria ser o motivo pelo qual eu acordaria todos os dias. Essa semente da Educação foi plantada em mim dentro do Centro Educacional da LBV. O momento mais marcante para mim foi quando estávamos no recreio e descobri que tínhamos colegas refugiados,
para quem a Legião da Boa Vontade dava o mesmo suporte. E aí nosso professor de Geografia, na época Bruno Torres, fez uma semana inteira de conteúdos em torno daquele assunto. Percebi quanto a Educação na LBV era humanizada. Ela transformou não só a minha vida, mas também a de outras pessoas que vinham de lugares que eu nem imaginava”.

Talento despertado: Engajamento em projetos sociais que envolvem a Educação.  Atualmente, Ana Carolina é coordenadora do setor de voluntariado da ONG Voz das Comunidades, com ações focadas no público infantojuvenil. “Estudar na LBV abriu minha mente para que eu pudesse entender qual era a minha missão de vida.”
Planos para o futuro: “Construir uma carreira com foco nesse trabalho de Educação Social, transformando a vida das pessoas por meio dela”.
Conquistas: 980 pontos, de mil possíveis, na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), fato que foi repercutido no programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, em 2019. Cursa Pedagogia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Pódio da vida

Pedro Felipe
Nome: Sergio Euzébio
Atuação na LBV: desde 2010
Função: Coordenador de Esportes
Momento marcante: “Lembro-me de um fato com o ex-aluno Arllãn da Silva em que ele havia perdido uma seletiva estudantil [para um campeonato de judô]. O adversário de luta dele luxou o ombro e, para o vencedor ser declarado, os dois atletas devem fazer a saudação final com o judogui [vestimenta do judô] arrumado. Arllãn, cabisbaixo com a derrota, com lágrimas nos olhos, ajeitou seu traje e amarrou sua faixa para finalizar o combate. Quando ele levantou o rosto para olhar a aclamação de seu adversário, viu que este não conseguia se arrumar por causa do machucado, mesmo se esforçando e chorando de dor. Foi quando o vencedor viu o Arllãn à frente, arrumando o seu judogui para que pudesse receber a vitória! Houve silêncio no ginásio por alguns instantes. Todos pararam para ver a atitude, cuja lembrança me causa arrepios. As lágrimas de tristeza do Arllãn
e as de dor do outro menino tornaram-se as minhas lágrimas e as do professor Vinícius Azevedo, [mas lágrimas] de orgulho! Ali, vimos que o Arllãn atingiu seu auge como cidadão! Esse gesto do nosso ex-aluno chegou a ganhar destaque em páginas do Facebook e do Instagram de atletas”.

Educar com amor e ternura

Pedro Felipe
Nome: Marcia Quesada
Atuação na LBV: desde 2002
Função: Diretora Escolar
Momento marcante: “Lembro-me de um aluno chamado Lucas. Em certos momentos, era arredio, agressivo e tinha muita dificuldade em se comunicar (sobretudo na articulação de alguns fonemas). Sempre que se sentia contrariado, ele se desestabilizava em sala de aula e precisava ir à coordenação, onde eu atuava na época. Por já conhecer o temperamento dele, mediava a situação acolhendo-o, mas não deixava de fazê-lo entender que estava agindo de maneira errada. Ele ficava bravo comigo, mas, ao fim de quase duas ou três horas de conversa, cansado, dormia no meu colo. Quando acordava, a primeira coisa que fazia era me olhar e dizer: ‘Tia Marcia, desculpa o Lucas?’ Como não se emocionar?! A mãe dele sempre fala que o carinho e a gratidão que tem pela LBV são muito grandes”.

Parabéns a esse abrigo da Educação com Espiritualidade Ecumênica!

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